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Belém sedia encontro para fortalecer autonomia digital de comunidades amazônicas com plataformas livres

Os encontros acontecem nesta sexta-feira (20) e sábado (21) com a intenção de capacitar Pontos de Cultura e coletivos da região norte no uso de plataformas digitais livres como estratégia para fortalecer a autonomia comunitária, a soberania sobre dados e a geração de trabalho e renda

A fotografia, tirada de um ângulo posterior, mostra um grupo de aproximadamente 40 pessoas participando de uma capacitação ou palestra em um espaço amplo e coberto.
Belém sedia encontro para fortalecer autonomia digital de comunidades amazônicas com plataformas livres

O Pontão de Cultura Digital das Produtoras Culturais Colaborativas e seu Comitê Gestor irão realizar formações de reaplicação de sua Tecnologia Social nos formatos semi presenciais e presenciais, nas cidades de Belém (PA); Palmeiras (BA); Campinas (SP); Curitiba (PR) e Florianópolis (SC). 

O primeiro passo acontece em Belém (PA), nesta sexta-feira (20) e sábado (21), a partir das 8h, na rua Bacuris, 146, São João do Oiteiro. O momento formativo conta com a parceria do Coletivo Cosmotécnicas Amazônias e o Fórum de Inovação, Tecnologia e Cultura da Região Insular de Belém. 

A intenção é capacitar Pontos de Cultura e coletivos da região norte no uso de plataformas digitais livres como estratégia para fortalecer a autonomia comunitária, a soberania sobre dados e a geração de trabalho e renda, em resposta à crescente dependência das grandes corporações de tecnologia e à demanda dos próprios grupos por formações presenciais adaptadas às realidades locais.

A realização do encontro presencial em 2026 é uma resposta direta às solicitações de Pontos de Cultura e coletivos de todo o Brasil que, após participarem de formações online oferecidas pelo Pontão em 2025, pediram capacitações mais aprofundadas e adaptadas às especificidades de seus territórios. 

O modelo inclui etapas presenciais de no mínimo oito horas, complementadas por encontros online para consolidação do conhecimento e manutenção do contato em rede.

Seis pilares estruturantes

A Tecnologia Social das Produtoras Culturais Colaborativas, cuja reaplicação é o foco do evento, está alicerçada em seis pilares fundamentais: memória, comunicação, produção, economia, gestão e educação. A metodologia busca integrar esses eixos de forma transversal, utilizando ferramentas digitais como meio para fortalecer processos comunitários pré-existentes.

Ecossistema Terra Preta como alternativa às Big Techs

Um dos diferenciais da iniciativa é a adoção do chamado Ecossistema Terra Preta, um conjunto de plataformas livres e integradas que inclui soluções como o Decidim (para participação e gestão colaborativa), o Nextcloud (para armazenamento e compartilhamento de arquivos) e o AzuraCast (para webrádios comunitárias). A escolha por tecnologias livres não é meramente técnica, mas política: trata-se de uma estratégia para minimizar os riscos da centralização de dados nas mãos de grandes conglomerados tecnológicos e garantir a soberania das infraestruturas digitais por parte de indivíduos, coletivos e estados nacionais. O uso dessas plataformas está alinhado à Política Nacional de Cultura Viva, que tem no fomento a softwares livres uma de suas premissas basilares.

Economia local, inteligência artificial e comunicação comunitária

A programação de dois dias contempla desde discussões conceituais até oficinas práticas. No primeiro dia, os participantes debatem temas como economia solidária e circuitos curtos de vizinhança, soberania digital na Amazônia e participam de uma imersão no funcionamento do Ecossistema Terra Preta. O segundo dia é dedicado à aplicação prática: os coletivos realizam diagnósticos rápidos de seus territórios, mapeiam atores culturais e definem prioridades de ação. 

Um dos módulos mais inovadores aborda o uso ético e soberano de inteligências artificiais para documentação de memórias e processos culturais, sempre com ênfase na automação ética e no controle comunitário dos dados. A oficina de webrádios comunitárias apresenta a ferramenta não apenas como veículo de comunicação, mas como infraestrutura política e tecnologia social, com modelos de governança e sustentabilidade pensados para a realidade local.

Compromisso com a implementação local

Ao final do encontro, os participantes constroem coletivamente um plano de implementação local, definindo responsabilidades, cronogramas e a estrutura mínima necessária para reaplicar a tecnologia social em seus territórios. O formato em rede é apontado pelos organizadores como o grande diferencial da metodologia: mais do que replicar um modelo pronto, trata-se de adaptá-lo colaborativamente às necessidades e potencialidades de cada comunidade. A iniciativa na região norte é a primeira de uma série de quatro encontros presenciais previstos para 2026 em diferentes regiões do país.

Confira abaixo programação completa

📍 PRIMEIRO DIA

Tecnologia Social, Economia Territorial e Soberania Digital

8h00 – Café da manhã e Acolhimento

  • Roda de boas-vindas
  • Apresentação dos participantes
  • Alinhamento de expectativas
  • Contextualização do encontro

9h00 – Apresentação da Tecnologia Social das Produtoras Culturais Colaborativas Livres – Carlos Lunna

  • Origem e princípios
  • Metodologia de reaplicação
  • Experiências práticas em territórios
  • Governança colaborativa e redes

11h00 – Empreendedorismo e Economia da Vizinhança – Nara Pessoa

  • Economia solidária e circuitos curtos
  • Cultura como geradora de renda territorial
  • Modelos de sustentabilidade das produtoras
  • Estratégias de articulação comunitária

12h30 – Almoço

14h00 – Debate: Soberania Digital e Autonomia Tecnológica – Victor Pontes

  • O que é soberania digital no território?
  • Infraestrutura, dados e autonomia
  • Tecnologias livres como estratégia política
  • Desafios amazônidas na cultura digital

16h00 – Oficina: Ecossistema Terra Preta de Plataformas – Jader Gama

  • Apresentação do Ecossistema Terra Preta
  • Integração entre plataformas livres
  • Fluxo de trabalho digital das produtoras
  • Simulação prática de uso (Decidim / Nextcloud / etc.)

18h00 – Encerramento do dia

  • Síntese coletiva
  • Registro dos aprendizados
  • Encaminhamentos
    📍 SEGUNDO DIA
    Comunicação Territorial, IA e Ecossistema de WebRádios
    8h00 – Café da manhã e Acolhimento
    • Retomada do primeiro dia
    • Roda de síntese
    • Alinhamento das expectativas do dia

  • 9h00 – Reaplicação da Tecnologia Social das Produtoras Colaborativas – Carlos Lunna
    • Organização em grupos de trabalho
    • Diagnóstico rápido do território
    • Mapeamento de atores culturais
    • Definição de prioridades de ação
    • Modelo de governança local

  • 11h00 – Usos da IA nos Processos Culturais Territorializados – Luandro Vieira
    • IA como ferramenta de documentação e memória
    • Automação ética e soberania de dados
    • IA para comunicação comunitária
    • Demonstrações práticas aplicadas às produtoras

  • 12h30 – Almoço

    🌐 14h00 – Oficina: Ecossistema de WebRádios da Terra Preta Digital – Augusto Júnior

  • 1. Apresentação Conceitual
    • Comunicação comunitária como infraestrutura política
    • Webrádio como tecnologia social
    • Relação com soberania digital e dados territoriais
    • Integração com o Ecossistema Terra Preta
  • 2. Arquitetura do Ecossistema
    • Plataforma de transmissão (ex: AzuraCast)
    • Hospedagem e infraestrutura
    • Integração com sites, redes e plataformas participativas
    • Fluxo de produção colaborativa
  • 3. Modelo de Governança e Sustentabilidade
    • Curadoria comunitária
    • Programação territorial
    • Formação de comunicadores locais
    • Economia da comunicação
  • 4. Oficina Prática
    • Demonstração de painel de gestão
    • Criação de programa piloto
    • Organização da grade
    • Simulação de transmissão

    • 16h30 – Construção de Plano de Implementação Local – Jader Gama
    • Quem assume o quê
    • Cronograma inicial
    • Estrutura mínima necessária
    • Próximos passos

    • 17h30 – Encerramento Geral
    • Avaliação coletiva
    • Registro e documentação
    • Encaminhamentos

Inscrições Gratuitas

Clique aqui e faça sua inscrição gratuita – https://plantaformas.org/conferences/tecnologiasocial/f/505/

Este trabalho é realizado pelo Instituto Intercidadania e promovido pelo Pontão de Cultura Digital e Mídia Livre com incentivo do Ministério da Cultura, com o apoio do Comitê Gestor, em cumprimento do Plano de Trabalho do TCC 951140/2023, do Edital de Seleção Pública nº 09, de 31 de agosto de 2023, “Cultura Viva – Fomento à Pontões de Cultura”

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SERVIÇO – Belém sedia encontro para fortalecer autonomia digital de comunidades amazônicas com plataformas livres

Local: Ilha de Caratateua/PA – Cosmotécnicas Amazônicas

Datas: 20/02 (sex) e 21/02 (sab)

Horário: 09h às 17h (com parada almoço)

Endereço: Rua dos Bacuris, 146, São João do Outeiro, Belém-PA

Inscrições: https://plantaformas.org/conferences/tecnologiasocial/f/505/

Como chegar: https://maps.app.goo.gl/WuoNmNpeaqjb78Lk8

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Sandro Barros

Jornalista, Fotógrafo, Produtor Cultural, amante da Cultura Tradicional e Ancestral do Brasil. Integrante do Pontão de Cultura Digital iTeia. Ọmọ Òrìṣà ti Ayrá e Juremeiro da Ilê Axé Oxalá Talabí

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