Trabalho em rede e preservação do patrimônio cultural dão o tom da mesa 2 no Encontro Sul de Cultura Livre

No dia 21/11/2018 foi aberto o Encontro Sul de Cultura Livre, que teve como sua terceira atividade a mesa Digitalização e acesso ao patrimônio cultural, mediada por Carlos Lunna (Tear Audiovisual, Colaborativa.PE e Rede iTEIA – BRA) e composta por Cristina Machicado (As Flaviadas – BOL), Fabianne Balvedi (MediaLab e Estúdio Livre – BRA) e Pedro Jatobá (Rede iTEIA e Cooperativa EITA – BRA). A expectativa da mesa era a de apresentar as principais plataformas de acervos digitais multimídia, bem como a de debater questões relacionadas ao tema como digitalização de acervo, licenças de uso, visibilidade do conteúdo, financiamento, acesso ao público-alvo e gestão destes ambientes virtuais. A íntegra da mesa pode ser conferida aqui.

Além das plataformas supracitadas, das quais os membros da mesa participam mais ativamente, foram apresentadas outras como o Archive.org, Beiras D`água e Tainacan. Todas elas, cada uma em sua especificidade, se dedicam a digitalização de acervos multimídia que retratam as narrativas de povos tradicionais e comunidades periféricas da América Latina. Com maior ou menos aporte do poder público, ou com momentos de descontinuidade dos aportes, o fato é que esses acervos se mantém a funcionar com a solidariedade de diversos sujeitos sociais, com gana de propagar seus artefatos culturais e, sobretudo, seus modos de vida.

O financiamento é tido como um grande desafio, ao considerarmos custos como pagamento de domínio, equipe de suporte em tecnologia da informação e servidor. Este último pode ser considerado como o maior deles, por conta da infraestrutura que o mesmo demanda. Durante a mesa ainda foi acrescentado a este tópico o debate sobre os limites destes servidores, uma vez que há dispêndio de energia e de hardware, o que por sua vez tem impacto nos recursos naturais e despesas crescentes com equipamentos. O suporte feito de maneira colaborativa, por sua vez, sub ou não remunerada, atrapalha o desenvolvimento das plataformas, que muitas vezes acabam por não acompanhar as novas possibilidades tecnológicas.

Em relação ao custeio as alternativas pensadas foi no sentido de parcerias globais, trocas de tecnologias e informações com acervos maiores do norte global, tanto no sentido de visibilizar, quanto de estruturar as iniciativas gestionadas a partir da América Latina. Promover a capilaridade na sociedade, sobretudo, no que diz respeito ao papel das plataformas de acervo cultural como ferramentas de educação e memória dos povos, para que assim, esses sites se tornem mais conhecidos e gerem pressões no poder público e na sociedade como um todo para apoiá-los.

Com relação ao público, se discutiu também o quanto as plataformas de acervo digital multimídia atingem o público-alvo. Assim, debateu-se questões em torno de plataformas como o YouTube, que parecem gerar uma falsa audiência, já que é um ambiente virtual com muitos canais que são estruturados por grandes produtoras e que conseguem mobilizar os algorítimos e as tags em torno do público como um todo. Já as plataformas não proprietárias, focalizadas em cultura, parecem atingir de maneira mais direta pessoas interessadas em produtos oriundos da cultura popular, o que pode tornar mais eficiente a utilização das mesmas, inclusive com técnicas para propagar os posts a partir dos acervos livres, nas redes sociais, proprietárias ou não, desde que não se gere conteúdo para as primeiras.

Outra maneira de tornar conhecidas e de promover o uso das plataformas livres é através de cursos de formação, onde os beneficiários recebem as instruções de como utilizar, além de poderem melhorar os ambientes, através de contato direto com o suporte e da compreensão da importância da visibilidade aos conteúdos gerados pelos povos tradicionais e comunidades periféricas. As licenças livres, como a creative commons, também foram mencionadas, mas sem maior aprofundamento, sendo esta talvez a principal lacuna desta rodada de debate. Fica a sugestão que a partir deste texto e de outros canais na internet e fora dela, se continuem as discussões em torno das questões debatidas nesta mesa, dada a sua relevância.

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